Um viva para a tecnologia

Muita gente, após alguma entrevista que é veiculada sobre células tronco, pergunta como andam os tratamentos, se eu não faria, se seria aplicado ao meu caso etc.

Sim, uma vez que os tratamentos estiverem clinicamente testados e com muitos dos atuais riscos afastados, não tenha dúvida, serei o primeiro a puxar o coro e pedir por uma vaga serei eu. Enquanto isso, uma excelente aposta, e uma das que eu acreditava muito, deu frutos.

A notícia não é exatamente recente, mas é bem interessante.

G1 – Tratamento faz paraplégico ficar de pé e caminhar nos EUA

Reaprendendo

Muitas vezes precisamos recomeçar algumas coisas, parar outras, aprender coisas novas e reaprender as que esquecemos ou perdemos no caminho.

Ontem (05/07) foi uma noite de vitória pessoal. Alguns amigos, que tem acompanhado no meu perfil do Facebook (http://www.facebook.com/valdirqg) sabem que tenho feito exercícios físicos e, com o tempo e prática, ganhado algum relativo progresso. Claro que nada é sem esforço, muito suor e, eventualmente, algumas lágrimas.

Era uma aula de Reeducação Postural, lá no Sesc Belenzinho, estava atrasado, na musculação, e cheguei já com a aula em andamento. Ajeitei tudo, pois alguns movimentos são feitos com a ajuda de faixas de borracha, cordas, pesos, bolas, enfim, tudo que possa ajudar a adaptar os movimentos e exercícios sugeridos. Peguei meu colchonete, passei a câmera para a Valéria (Val), uma das instrutoras, e segui as orientações da Paula, que é quem conduzia a aula.

Bioball - 'feijão'

Bioball - 'feijão'

Num dado momento o exercício era parecido com o gato, do Pilates, andando e reproduzindo os movimentos de um gato, só que com os pés no chão e as mãos também, ou seja, o quadril fica bem projetado pro alto e, uma mão vai para frente e o pé contrário vai alternando o movimento. É muito bom, pois nos ajuda a corrigir a postura, alonga e ajuda também a recrutar e exercitar músculos que usamos mal ou muito pouco. No meu caso, fiz com o auxílio do feijão, um tipo de bola achatada, que me dá estabilidade e desliza apenas para frente e não tão facilmente para os lados, como uma bola convencional.

Como, obviamente, não dá pra eu fazer o gato, adaptamos com o feijão. Fico apoiado nos joelhos, o que já foi um ganho enorme depois que comecei as aulas, dai sim começou o desafio. Foi sugerido que eu tentasse, usando o feijão, deslizar sobre ele e, num caminho formado por uns 8 colchonetes, tentar andar com os 4 apoios, mas de joelho. Brinquei que seria um gato manco.

Pra ficar na posição já foi um sacrifício. Como disse, ficar ajoelhado, ainda que apoiado por uma bola e apoiado nas mãos é complicado, muito. Suei que parecia estar numa aula de intensidade máxima, mas fui. A bola começou a atrapalhar e sugeri pra Val que a afastasse. Medo. Será que consigo, será que vou cair? Bom, vamos tentar, senão não terei respostas.

Ao conseguir ficar na posição e já molhando o colchonete com as gotas de suor, meu Deus!! Consegui ficar, sem a bola!!! Nossa, como doeu, como suei. Mas vamos lá, não fiz o exercício ainda. Pausa para descansar.

Ao fundo, um cd com músicas acústicas e começa uma versão do James Blunt – Carry you home. A tradução é complicada, junte a isso um mix de sentimentos, cansaço e fragilidade.

Recomeçando, já muito cansado, mas com vontade, consigo novamente a posição e, SIM, minha primeira engatinhada completa. Na segunda eu já não sabia mais o que caia no caminho de colchonetes, se lágrimas ou suor, pois estava molhando. Foi uma experiência e sensação incríveis, um recomeço mesmo.

Já quase sem fôlego a Val pergunta quanto tempo eu não fazia isso, só consegui responder com os dedos, mostrando 7 para ela. “Sete meses?” Não, há sete longos anos que não fazia esse movimento, simplesmente não conseguia, não tinha forças.

Após a aula, já recomposto mas ainda emocionado, encontro os amigos Alceu e Claudinei, queria contar pra eles, mas seria uma nova sessão de choro, dai não dá,  principalmente por serem amigos muito queridos e que tem acompanhado a trajetória, sabem que sou chorão e não conseguiria parar e, ainda havia mais uma aula, mas divido hoje com eles, pois também não haviam sabido. 😉

Ainda é cedo para comemorar.

Milagre? Santa Valéria e Santa Paula? Não, apenas muito esforço conjunto, meu me empenhando e delas e dos demais instrutores (são uns 20 ou mais) que tem acreditado, pesquisado e conhecido meus limites, limitações e desafiando para ver o que conseguimos de melhor. Ainda há muito por fazer. O restante do tempo tem sido de recuperação, para a sessão do dia seguinte mas, repito, tem valido muito a pena.

#feliz