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Valdir Gonçalves - Santos/SP - Nov / 2010

Valdir Gonçalves - Santos/SP - Nov / 2010

Brasileiro, 40 (jan/1971), muito curioso. Adoro viajar, cozinhar e, principalmente, aprender. Pode ser qualquer coisa. Um novo destino, uma receita nova, tecnologia, games, até assuntos filosóficos, não tanto quanto o necessário, mas me atraem também.

Humor cáustico, ácido mesmo. Dizem que meu humor é negro. Prefiro acreditar que ele seja desprovido de muitos pudores e vejo graça, até nas tristezas, apenas isso. Gosto de rir, faço isso até sozinho, à toa mesmo.

Como disse acima adoro viajar porém, com dificuldades de locomoção há alguns anos, desde 2001, isso tem se tornado um pouco mais difícil, alguns roteiros já são até impraticáveis.

Antes disso viajava sem rumo, o prazer era justamente esse, apenas viajar. Arrumava uma mochila, pouca coisa, apenas o necessário para um final de semana e, chegando na rodoviária, olhava os nomes das cidades, comparava preços e decidia para onde ir. Conforme o preço da passagem, sabia mais ou menos quanto tempo duraria a viagem.

Escolhida a cidade, embarcava, observava o caminho, literalmente viajava. Deixava os pensamentos fluirem, a alma ia ficando cada mais leve.

Conheci muita gente nessas viagens, mas infelizmente nenhum desses amigos de viagem continuaram no mesmo caminho da vida e, ao desembarcar, acabava ali o nosso vínculo. Às vezes ouvia histórias lindas, outras nem tanto assim, algumas até tristes. Eu era como um ser oculto na vida daquelas pessoas, estava ali, mas em breve não mais. Ouvia suas alegrias e tristezas. Um alívio, um confidente? Não, apenas um ouvinte. Era mais como um desabafo, uma pausa na vida delas, um desconhecido em quem podiam confiar seus segredos, suas dores e mágoas, suas conquistas e até suas mentiras, mas sem o peso do compromisso e do confronto com a verdade.

Esse era um dos momentos mágicos dessas viagens. Conhecia, ouvia e seguia meu caminho. Chegando a uma cidade, caso gostasse, fazia um tour e ficava por ali mesmo. Conseguia um hotel ou pensão, visitava pontos turísticos.

Algumas das minhas férias foram assim, aliás foram as melhores. Sem programação, sem horários, planos milimetricamente calculados.

Com a perda da mobilidade, isso também foi consumido. Doeu muito, mas, hoje em dia, poxa, o que me impede de fazer isso novamente? Uma cadeira e um par de muletas? Não! Muito pelo contrário, eles serão os instrumentos para novas oportunidades. Demandarão um pouco mais de planos sim, mas nada engessado, apenas um prévio estudo do local, acessibilidade e só.

Muitas pessoas, em condições semelhantes, deixam de viajar por não saberem o que as espera. Será que há adaptações? Como fazer, o que visitar? Percebi que eu era uma delas e resolvi mudar, pois não dá pra ser feliz sem ter sonhos, objetivos e prazeres. Quero voltar a ter aquele gostinho de liberdade, aquela invisibilidade que me fazia aprender, conhecer, ver e ter gente nova, histórias novas. Quero ter aquela parte da vida que sempre tive de volta, mas deixei que me dissessem que não podia.

Não tenho pretensão alguma de ser guia turístico, consultor de acessibilidade ou qualquer outra coisa nesse sentido. Quero ir, ver e descrever os rumos, os caminhos, os desafios.

Meu prazer está lá fora e é pra lá que eu vou.

Obrigado e seja bem vindo(a), em breve postarei fotos e novos rumos.

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  1. Pingback: Começando… « Dois dias e uma cadeira de rodas

  2. Nossa amigo, vc sim é um exemplo!
    Adoro vc, tambem adoro rir, as vezes lembro de certas coisas e tambem dou risadas sozinha rs. E realmente nao dá para ser Feliz se nao tivermos sonhos e nem prazeres.
    Jamais esquecerei de voce.

  3. Filhão, sensacional o blog! Aliás, a iniciativa! Além de relatar os prazeres que uma viagem pode proporcionar, esse “trabalho” é de utilidade pública.

    Parabéns pela iniciativa e sucesso. Já era de se esperar que você fizesse algo que acrescentasse à vida das pessoas. Essa característica é sua mesmo.

    Sucesso!!!!

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