Meia Maratona Sesc de revezamento – IPIRANGA 30/10/2011

Como  costumo dizer, se ficar pensando muito, nada fazemos. Quando li o nome da prova já assustei, afinal, mal tinha feito minha primeira prova de 10km  e  já encarar uma meia maratona? Ah tá… é meia maratona mas de revezamento, ufa! Equipes de duas ou quatro pessoas. Bom, então vamos lá, encontrar mais 3 valentes e encarar o percurso, que já sabia  não ser dos mais fáceis.

A prova, como disse, é o revezamento em equipe, saindo de dentro do Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, seguindo pela avenida Nazaré até a Pe. Marchetti e dai seguindo rumo a Rua Bom Pastor e, por fim a Av Dom Pedro I e retornando ao parque, totalizando 5,25 km por participante. Até ai, sem novidades, mas cá entre nós, a largada é numa subida e a continuação até a Pe. Marchetti também, ou seja, 1km de subida. Por mim teria terminado a prova ali mesmo hahaha estava pra lá de exausto, mãos já machucadas e sangrando e ainda a instabilidade da cadeira. Utilizei a mesma da corrida anterior, a de Santos, que estava com eixo dianteiro frouxo e centro de gravidade alterado. Coloquei outra roda, resolvendo o problema dianteiro, mas a gravidade ainda era a mesma, ou seja, vacilou, chão.

Passado esse sufoco e já com quase todas as energias esgotadas, o restante do percurso foi relativamente fácil, mas por ter ‘queimado’ muito no começo, estava quase pedindo pra sair. Ei, como assim? Sair e deixar os demais na mão? Nem pensar.. vamos adiante, nem que vc seja o último a concluir a prova.

Água, quero água! Pois é.. um dos únicos problemas (fora a av Dom Pedro I que está um lixo de asfalto) foi a falta de água no percurso.

No final da prova, já avistando o parque, as forças já haviam me deixado. Estava anestesiado, andando no meu máximo que, a essa altura, já era muito pouco. Não fosse o incentivo dos outros corredores e de algumas pessoas ao longo da prova, acho que teria desistido. Não conseguia mais tocar no aro da cadeira. Apesar das luvas, que já haviam rasgado, os dedos estavam machucados. Lembro de um funcionário da CET, já quase na entrada do parque que gritou, vendo que eu já estava quase parando: “Você não vai desistir! Falta muito pouco e você já está aqui.”

Eu já estava chorando. Não sei se de dor ou de exaustão. Pensava em muitas coisas, mas já nem sabia mais no que. Só sei que, ao avistar a entrada, alguma reserva de energia brotou e consegui não cair na rampa que fizeram entre o asfalto e a calçada, pequena, apenas pra evitar que os corredores tropeçassem, mas era o único caminho a seguir. Fui, mais um pouco de subida e estaria passando a faixa para o Everton concluir a prova.

Como esquecer uma prova como essas!? Já sabia que o percurso era difícil, mas não imaginei que fosse tão duro. Este ano, 2012, quero ver se o faço novamente. Acredito estar melhor preparado. Vamos que vamos, pois 28/outubro está logo aí.

Álbum (39 fotos)

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Pirenópolis

Cidade: Pirenópolis – GO
Data: 01 e 02/01/2011

Estou um pouco (muito) atrasado com este post. Acabei fazendo outras viagens e ainda não postei esta, do começo do ano. Peço desculpas aos que tem seguido, então, vamos lá.

Natureza do cerrado

Natureza do cerrado

O charme e simpatia dessa cidade são ímpares. Confesso que fiquei surpreso ao descobrir tanta beleza, sem falar na simpatia da população local. Já conhecia sua fama, mas apenas pelas belezas naturais de suas cachoeiras, serras e também da vegetação exuberante. Não pude aproveitar muito das belezas naturais, primeiro pelo tempo, que estava fechado e chovia muito, segundo que normalmente atividades ecológicas nem sempre são acessíveis ou adaptadas aliás, raras as que são. Outro item que pesou para não conhecer os parques e cachoeiras foi o preço. Como os passeios e pacotes não estavam baratos, decidi não empenhar dinheiro nesse item. Em parte, bom, pois assim é motivo para uma nova visita. =)

O início

Como fomos parar lá? É, não estava prevista a ida até Pirenópolis, meio que surgiu a partir de alguns amigos do Valdir, meu xará lá de Brasília. Confesso que adoro e até prefiro viagens assim, de improviso, sem muitas programações.

Valdir, pela manhã.

Valdir, de Brasília, pela manhã.

Eles passariam o final de ano lá e acharam que seria um lugar legal para eu conhecer. Fomos, até sem esperar por hospedagem e, caso não conseguíssemos, a volta seria no final do dia ou então dormir em alguma cidade próxima, pois todos os hotéis e pousadas da cidade estavam lotados.

Cara, difícil foi fazer o xará pegar no tranco. Chegamos mais ou menos cedo da Esplanada (ver post sobre o final de ano aqui), aquela que não teve queima de fogos, mas o problema é tirar o baiano da cama cedo. Sim, ele é baiano, original, da Bahia e não é um comentário preconceituoso, segundo ele mesmo diz hehehe.

Caminho

Não sei se foi para acordarmos ou para rezarmos, mas logo no início, ainda nas cidades satélites, escapamos de um acidente. Não sei explicar como, mas seríamos o alvo do carro e das peças que vinham em nossa direção, mas nada, nem um parafuso nos atingiu. Vieram as peças por cima e o carro pela esquerda, passou pela gente e foi parar no canteiro. Um belo susto matinal. Ainda bem que, com os outros carros, foram apenas danos materiais. Ninguém ferido, seguimos caminho. (rezando)

Olha, como bom paulistano e pagador de muitos pedágios e impostos, não sei se o que direi será bem ou mal interpretado mas, eita estradinha ruim da p#$@%!!! Isso porque, segundo ele, elas estavam em condições razoáveis. Imagino quando não estiverem. Desvia daqui, dali.. Não estava de todo ruim, mas boa ou razoável, desculpem, isso estava bem longe de acontecer.

Estradas a parte, o caminho tem uma beleza incrível. A vegetação do cerrado é muito rica, ainda mais que estava chovendo, pegamos até neblina, coisa rara para a época e estação do ano. No álbum há algumas da estrada, inclusive de uma pequena parte de floresta nativa.

Rampa - Salto do Corumbá

Rampa de acesso - Salto do Corumbá

Paramos no mirante do Salto do Corumbá. Pelo mau tempo e a chuvarada, foi uma bela visão, pois o rio estava cheio e com grande vazão, aumentando o volume da queda d´agua. Excelente lugar, ainda mais que, para os que curtem mais de perto a natureza, há um camping logo adiante, a apenas alguns metros de distância do Salto.

Outra coisa que chamou a atenção nessa parada do Salto foi a pequena rampa. Claro que ela era, na visão de alguns, até desnecessária, pois a altura é mínima e saia do barro levando para uma mesa com cadeiras mas, para quem tem mobilidade reduzida, 5 cm de altura pode ser um problema e tanto. Ponto pro dono do estabelecimento, ainda que os banheiros sejam todos embaixo e com acesso somente por escadas mas, como digo, um pouco de boa vontade e sensibilidade cabem em qualquer lugar.

Cidade

Chegamos sem chuva, levamos pouco mais de duas horas devido a duas paradas que fizemos e a condição das estradas. A cidade, logo de cara, encanta. Quase todas as ruas são cobertas com pedras, como paralelepípedos. Para mim, um terror, mas a beleza aqui falou muito mais alto e, para nossa sorte, sempre há alternativas. Uma delas são as travessias, em vários pontos da cidade, como passarelas feitas de placas de pedras, planas, substituindo as faixas de pedestres. Muito inteligente e visualmente agradável da parte de quem as idealizou.

Mas, como em todas as cidades, quanto mais periféricas as ruas, piores as condições. Calçamento irregular, estreitamentos, falta de rampas e acessos, não há passarelas ou faixas de pedestres. Lá também, na periferia, há beleza, não na arquitetura, mas nas pessoas e em suas casas, bem coloridas. Por onde passamos, fomos recebidos por um sorriso e uma saudação cordial.

Corrimão em madeira bruta

Corrimão em madeira bruta

Uma dessas casas, numa região mais afastada, chamou nossa atenção. Acredito que more ali algum artesão ou foi encomendado, afinal, a ideia foi boa e a simetria também ficou interessante no corrimão que fizeram, todo em madeira, mas bruta, com troncos largos e conseguiram encontrar a curvatura correta para cortarem e dar a impressionante sensação de espelhamento.

Por ser uma das primeiras cidades do estado de Goiás, Pirenópolis também possui muitos prédios tombados, que são boa parte do atrativo turístico. Suas construções antigas, muito bem preservadas, nos remetem a tempos remotos. A mim, sensação de calma e tranquilidade, ainda que  a cidade estivesse cheia, lotada mesmo. Gosto de cidades antigas, históricas e suas construções. Lá conseguem manter as estruturas, preservá-las e dar destinação útil a elas, diferente das grandes cidades e capitais, que fazem seus tombamentos e deixam lá, esperando que o tempo as estrague e boa parte da história e cultura se percam em meio ao descaso.

Lazer

Além dos parques e reservas, Pirenópolis tem alguns museus e construções que valem muito a visita. A Igreja Matriz é linda e impressiona, pena não ter podido fotografar. Fui gentilmente convidado a sair, segundo o pároco, porque estavam para começar uma missa. Não sou católico, mas não tenho nenhuma inscrição ou adereço dizendo qual minha religião, de qualquer forma, diante da sutileza, melhor sair.

Fora isso, o que atrai mesmo o pessoal são os bares e restaurantes da cidade. Muitos, centenas deles.

Vale também uma boa e demorada as várias lojas e oficinas de artesanato local. Muita arte e criatividade. Claro que não faltam produtos industrializados, alguns importados também, mas acreditem, eles ficam ofuscados diante do trabalho local.

Caso alguém decida ir conhecer, pode convidar, terei prazer em ir novamente 😉

Álbum (139 fotos)