Corrida Rústica – Sesc Interlagos (20/11/2011)

Corrida Rústica - Sesc Interlagos

Corrida Rústica – Sesc Interlagos

Oba! Mais uma prova, mas dessa vez, fui só como acompanhante.

Pra quem não está muito acostumado ao mundo das corridas, assim como eu, o termo rústico quer dizer que pode ser uma prova em terreno acidentado, diferente do tradicional, ou seja, grama, areia, pedra ou mais de um tipo desses, juntos.

Sendo assim, só me restou acompanhar os demais e fazer a parte do fotógrafo =)

O mais legal de tudo isso, fora ver os amigos correrem, foi ver a solidariedade do pessoal que, desde a entrada, ajudaram na locomoção.

A própria unidade do Sesc Interlagos já é uma aventura para cadeirantes. O estacionamento fica logo no começo, próximo da entrada e é uma unidade que eles chamam de campestre, como se fosse um clube e muito, muito grande. Com seu piso de paralelepípedos e uma boa inclinação, imaginem a dificuldade.

Enfim, curtam as fotos. Foi um dia muito legal, com direito a pastel e caldo de cana numa feira, logo na saída, afinal, nem só de corrida vivem os atletas hehehe.

Álbum de fotos (165 fotos)

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Sorocaba – Corrida Noturna

Em setembro resolvi encarar mais um desafio.

Corrida Noturna - Sesc Sorocaba

Corrida Noturna - Sesc Sorocaba

Como tinha adorado minha primeira experiência em corridas, claro que não perderia a oportunidade, sem saber que em breve isso se tornaria um vício.

Já que gosto de viajar e agora correr, por que então não unir os dois? A viagem foi excelente, uma dose de ansiedade, claro, mas foi tranquila. No caminho, acompanhado pelo amigo Alceu, paramos num restaurante bem legal, típico português, com pratos e decoração que valem a pena. Muita gente conhece o famoso lanche de pernil do Estadão. Gosto muito, mas o desse restaurante, vale muito a pena. Excelente! Claro que não vou sair de São Paulo, pegar estrada e pagar pedágios pra comer um lanche, mas certamente, passando por ali, será uma parada obrigatória. Pera lá, o post não é gastronômico.

Retomando…

Parque das Águas - Sorocaba

Parque das Águas - Sorocaba

Sorocaba, como diriam meus amigos mineiros, é logo ali. Chegamos rápido e logo encontramos o local da prova, Parque das Águas. Fizemos algumas fotos, retiramos o kit de participação e, como estava cedo, acompanhamos a montagem da estrutura e também do palco para o show de encerramento.

O tempo passando, ansiedade apertando. Melhor dar uma última calibrada nos pneus e começar o alongamento. Quando termino, convidam todos a se aproximarem da largada. Pra minha surpresa, desta vez, haveria outros deficientes participando, o que achei legal. Eram cegos, com seus guias, corredores que participam junto com eles, unidos por uma espécie de elástico e que vão guiando os atletas, seguindo o ritmo do cedo e nunca ditando, ou seja, o guia nunca deve passar a frente.

Calibrador portátil. Sempre útil.

Calibrador portátil. Sempre útil.

Logo que me viram na pista, um deles perguntou se eu iria correr com aquela cadeira, uma vez que é a que uso no meu dia a dia, sem equipamento algum, apenas eu e a cadeira. O segundo, ao se aproximar, olha pra mim, em seguida pra cadeira e pergunta: “Cara, você tomou água de penico?”. Com essa cadeira você não vai nem concluir a prova. Meu ânimo, por instantes, foi lá embaixo.. por alguns momentos senti-me um pouco humilhado. Mas como quem me conhece sabe como sou, isso fez foi me animar, dar mais pique e vontade de ir atrás e conquistar de volta meu orgulho, não ferido, mas instigado, incitado e intimado a mostrar a que veio.

Preparar… partiu!

Largada. Comendo poeira...

Largada. Comendo poeira...

A primeira vista o circuito parecia menos inclinado. Logo na saída, claro, fiquei para trás, comi poeira mesmo, afinal, as outras duas cadeiras são as de três rodas, específicas para corridas e eles são experientes. Essa era minha segunda prova, sem preparo, sem equipamento. Até segurança estava faltando, pois estava sem luvas e sem capacete, apenas munido de vontade e uma certa raiva.

Passado o primeiro quilômetro, já seguindo para o segundo, damos a volta na pista, passando pela primeira ponte e ai, finalmente, um trecho favorável, em descida. Para surpresa e susto do outro cadeirante, grito um sonoro “sai, sai… sai da frente”. Assustado, abre caminho e pergunta como cheguei até ali. Pena, não deu tempo de responder. O trecho seguinte é mais plano, neutro e por isso exige mais toque na cadeira. Minhas mãos já começam a cansar e meus ombros a doer, mas pego água, num dos postos de hidratação e sigo. O público, além de vibrar, passa uma energia muito boa, incentiva, acolhe.

Vai lá! Falta pouco.

Vai lá! Falta pouco.

Do outro lado do rio avistamos o pórtico de chegada, um breve alento se não viesse a mente a ideia de que ainda falta metade ou mais do percurso. A frente, um certo medo começa a crescer. Escuro. Um trecho sem iluminação obriga que reduza a velocidade. Não consigo avistar o chão e, quase sem referência, conto com a sorte e não me deparo com nenhum buraco. O menor deles, para o tipo de cadeira que uso, somado a velocidade, pode ser um belo tombo.

Passado o trecho sombrio, melhorou? Não! Segunda ponte. Superando ela e o cadeirante que me ultrapassou no trecho plano, posso tentar uma última acelerada, um sprint, e chegar com um bom tempo. Esforço, suor, mas não, é muito íngreme, tenho que ir devagar, nesse caso, estava quase parado. Inclinado e em reforma, areia da pista, fruto da reforma, combinação horrível mas, como dizem, quem tem amigo não morre pagão. Sinto o apoio dos amigos que passam e o incentivo mais que bem vindo do Alexandre, companheiro de academia. “Vamos, irmão, vamos que tá chegando”.

Reta final, quase chegando.

Reta final, quase chegando.

Valeu, Alê! No alto do viaduto, ultrapasso novamente o Nilton, estou em segundo. Agora é terminar o viaduto, descer e pegar a reta para a chegada. Descendo, o que é isso? Minha cadeira começa a trepidar. Além do asfalto, irregular, as rodas dianteiras começam a oscilar muito, com toda a razão, pois não foram feitas para isso. A frente, uma curva de 90 graus e, ao lado, lá vem o Nilton, que me ultrapassa facinho. Também, pudera, sua cadeira chega a 75km/h enquanto a minha, bom, deixa pra lá…

Como assim?! Já chegou?

Como assim?! Já chegou?

Feita a curva, agora é tirar ‘no braço’. Água, preciso de água. Vamos, falta pouco. Avisto o Nilton adiante, mas não dá, não o alcançarei mais, mas quero diminuir a diferença. Vai, acelera, queima porque agora é a hora! Os braços queimam, os ombros doem, mas chego, colado com ele. Apenas 11 segundos separam uma cadeira de corrida de uma cadeira convencional movida a muita vontade e uma boa golada de água servida num bom penico.

Tempo oficial Cronoserv (líquido)

Paulo Cesar Vieira: 00:22:15
Nilton Inacio: 00:25:53
Meu tempo: 00:26:04

 

Fotos by Alceu Rosa

Novos desafios

Medalha Sesc Consolação

Medalha Sesc Consolação 13 / ago / 2011

Bom, novos rumos, novas oportunidades.

Em agosto houve uma corrida em São Paulo, promovida pelo Sesc Consolação e, adivinhem, lá estava eu. Hehehe. Foi uma nova oportunidade e experiência.

Cadeira para competição - Loja Como Ir (valor, no dia da publicação do post, R$ 14.315,00)

Cadeira para competição - Loja Como Ir (valor, no dia da publicação do post, R$ 14.315,00)

No domingo anterior a prova fui conhecer o percurso, 5 quilômetros. O local, no centro de São Paulo, Elevado Costa e Silva, mais conhecido como minhocão, que vai do centro até o início da zona oeste. Pois bem. Lá vou eu e minha cadeira, convencional. Seu modelo é esportivo, mas não própria para atividades físicas. As cadeiras de corrida são melhor desenhadas e preparadas, possuem uma única dianteira, maior e mais segura.

Pois bem, fui. Nunca me senti tão cansado como naquele percurso, ainda mais porque estava sol, não tão quente como o verão. Foi bem difícil. O percurso tem altos e baixos, alguns mais longos, o que em partes ajuda na recuperação, durante a descida, mas em compensação, nos momentos de subida, cansam e doem muito.

Matéria sobre treino para Meia Maratona de São Paulo no Elevado Costa e Silva - Jornal Diário de São Paulo

Matéria sobre treino para Meia Maratona de São Paulo no Elevado Costa e Silva - Jornal Diário de São Paulo

Feito o treino, tive uma recuperação praticamente tranquila, fiquei cansado, bastante, só consegui estar bem mesmo na quarta-feira seguinte.

No dia da prova, uma certa ansiedade, afinal, minha primeira corrida e minha primeira corrida numa cadeira. Concentração, retirada do kit, encontrar os amigos e fazer o aquecimento. Todos posicionados, a tensão aumenta. Agora, sem a compania dos amigos (Alceu, Roberto, Vinícios e o Tato, filho dele) tudo fica ligeiramente estranho, as pessoas se aglomerando, eu no meio. MEU DEUS!!! O QUE TO FAZENDO AQUI?!?!

Agora é tarde, deram a largada.

Som no último e vamos lá. Atenção pra não cair nos buracos e depressões dos viadutos e ligações entre as partes. Gente, gente, gente, só e que vejo é gente e suas partes. Olha pra frente, olha pra baixo, pra frente e pra baixo. Respira, tenta ficar calmo, economiza pra volta.

Ufa, metade quase concluída, final do elevado. Opa! Tenho que fazer a volta, pela outra pista do elevado, mas tem uma divisão, como ultrapassar? Uma micro rampa, não em largura, mas em extensão está lá, não pra mim, mas para os que andam não tropeçarem no meio-fio. Bom, seja o que Deus quiser! Embalo e vai. Bora, começar subir o restante da prova.

Água, por favor, água!!! Dois copos e sigo em frente. Cansaço batendo forte. Emoção e dor, o que vem primeiro? Chegaram juntos. O cumprimento e incentivo dos amigos que ultrapassam, desejando força pra continuar, são goles extras de uma água invisível.

Metros finais, voltamos para a pista anterior, agora é só subir. Como se fosse fácil.

O trecho a partir da altura da Rua Jaguaribe em diante, aproximadamente 500 m, é inclinado, sendo seus últimos 100m, para quem já percorreu 5km, praticamente uma ladeira. Ai sim, zig zag pra aguentar a subida, braço doendo muito, mas a cada cumprimento, tapa no ombro, grito e aplauso do público para todos os atletas, isso não tem preço, é mágico, é bom, é como uma mensagem de “vai lá, tá chegando, você consegue!”

Dai chega o Paulo (Paulinho), um dos instrutores do Sesc e me acompanha nos metros finais.

Poxa! Consegui. Muito realizado e satisfeito. Que venha Sorocaba, próxima etapa.

Tempo: 00:32:11
Percurso: 5 km